Folclore em São Bento do Sul – Um mergulho na história

Setembro é um mês comemorativo em São Bento do Sul, é quando comemoramos o aniversário da cidade, e com ele, vários festejos são celebrados. O mais tradicional, é a Schlachtfest, tradicional festa germânica que nos faz recordar dos costumes trazidos pelos imigrantes que colonizaram a cidade.

Como amante de história que sou, e da cultura europeia da nossa cidade também, busquei saber um pouco mais sobre o folclore de São Bento do Sul, que é evidenciado durante a festa, mas pouco conhecido pela população.

Folclore em São Bento do Sul

As influências do folclore, principalmente na Schlachtfest, vieram da região da Baviera (Alemanha). O motivo é porque foi um grupo oriundo dessa região, que fundou a Sociedade Ginástica e Desportiva São Bento, a qual é responsável pela festa desde o seu inicio.

O objetivo da fundação da sociedade foi incentivar a prática da ginástica, e fortalecer a cultura da cidade. De acordo com o site da Sociedade, alguns nomes que fizeram parte desse feito, foram: Otto Kopp, Guilherme Scheide, Gustavo Keil, Gustavo Lutz, Francisco Pfeiffer, Frederico Fendrich, José Fendrich, Léo Malewschik, entre outros.

Ela foi fundada em 1925, na época era onde hoje está instalado o Shopping Zipperer, e desde então tinha atividades voltadas à prática de ginástica, esporte e a cultura trazida da região da Baviera, de onde também vem a Schlachtfest e o Bauernball (baile camponês). Esses eventos eram celebrados no Sul da Alemanha sempre ao final das safras e após a “matança” de animais, quando garantiam carne para a próxima estação.

Agora que já entendemos um pouco sobre o inicio da festa e o motivo dela ser celebrada, vou falar um pouco sobre os grupos folclóricos de São Bento. Não encontrei quando exatamente o folclore começou em nossa cidade, mas falei com algumas pessoas que fazem parte dessa cultura e tem muito para compartilhar conosco!

Fazendo acontecer – Trajetória da Monica Malewschik

Para falar sobre folclore com mais propriedade, já que moro em São Bento do Sul há apenas quatro anos, nada melhor do que falar com quem convive com essa cultura há pelo menos 40 anos, ein?  

A D. Monica é um exemplo claro do que é vivenciar o folclore trazido pelos imigrantes. Em conversa com ela, aprendi muito sobre como essa cultura germânica foi sendo introduzida na cidade por meio de pessoas que sempre incentivaram os costumes, e compartilho agora com vocês. Bora acompanhar?

Tudo começou em 1983, quando ela acompanhava a filha em aulas de ballet no Ginástico. Na época, por influencia da família do marido, já participava de um grupo de dança folclórica, mas, foi a convite da professora de ballet de sua filha, que começou oficialmente seus trabalhos, coordenando um grupo infantil folclórico germânico, que era o Edelweiss.

No inicio eram 16 meninas, e já no ano seguinte o grupo contava com 70 meninas e meninos que só evidenciaram o talento da D. Monica com aquele público mirim.

“Eu sempre tive uma facilidade enorme em trabalhar com as crianças. Lembro perfeitamente das aulas de valsa, onde era comum alguns terem dificuldades em aprender. Então eu pegava naquelas pequeninas mãozinhas, os conduzia, e em poucos passos eles aprendiam, era realmente maravilhoso trabalhar com eles”, relembra D. Monica.

Grupos Folclóricos do Ginástico | Arquivo Monica Malewschik

Foi assim o “ponta a pé inicial” de uma carreira de mais de 40 anos trabalhando com folclore. A partir desse primeiro grupo, Monica começou a se especializar, e fez alguns cursos de dança em Gramado, da onde sempre trazia músicas e coreografias novas.

Grupos Folclóricos do Ginástico | Arquivo Monica Malewschik

Com o aumento significativo do grupo, que fazia parte da Sociedade do Ginástico, o mesmo foi subdividido em 6 grupos de crianças e adolescentes, e todos eram conduzidos por ela.

Grupos Folclóricos do Ginástico | Arquivo Monica Malewschik
Grupos Folclóricos do Ginástico | Arquivo Monica Malewschik

Além desses grupos, Monica também relembra que na mesma época foi convidada para ensaiar 4 grupos do Colégio São Bento, 2 grupos no Roberto Grand e mais um no Castelo Branco.

Grupo Folclórico do Ginástico e Castelo Branco | Arquivo Monica Malewschik

Fora de São Bento do Sul, também coordenou grupos folclóricos em Sinope/MT, Colônia Helvetia/SP, Marechal Candido Rondon/PR, Mafra/SC e Corupá/SC.

Monica e os trajes típicos

O envolvimento com os grupos folclóricos fez com que Monica fosse atrás de referências, e por meio de contatos com grupos folclóricos da Alemanha, recebia revistas e livros com referências que evidenciavam características peculiares de cada região do país.

Eu gravei alguns vídeos com ela falando sobre características de trajes típicos alemães, que para quem perdeu, está salvo nos destaques no instagram do blog. E um dos pontos que ela destacou, foi sobre os pingentes usados nos vestidos femininos, os quais nem sempre são comprados, mas, sim ganhados da família em ocasiões especiais, como 1ª comunhão, noivado, casamento e assim por diante.

“Cada região da Alemanha tem um tipo de traje específico, e a cor do avental, que normalmente as mulheres usam, muitas vezes representa a região de cada grupo”, complementa Monica.

Nos anos 1983, 1993, 2010 e 2018 esteve na Alemanha, e inclusive em sua última ida, no ano passado, assistiu ao desfile da Oktoberfest de Munique, ela comenta o quão lindo e especial é o desfile deles, e de como é importante manter a Schlachtfest em São Bento do Sul, “é um grande resgate à nossa cultura e ao nosso folclore”.

Sem dúvidas Monica deixará um belíssimo legado na história do folclore são-bentense, sua trajetória inclusive rendeu prêmio no festival nacional de danças de Joinville em 1983.

Ela foi responsável por coordenar diversos grupos da cidade que levaram o nome e a cultura da cidade para diversos lugares, e nunca mediu esforços para manter a tradição.

Folclore de geração para geração  

É claro que existem outros nomes importantes do folclore de nossa cidade além da Monica, mas, infelizmente não é tão simples conseguir falar com todas as pessoas envolvidas em um trabalho de tantos anos.

Mas eu consegui conversar com um casal que participa de um grupo folclórico tradicional de São Bento do Sul, e que segue a tradição da família. Com isso é possível enxergar também o quão importante é essa herança cultural que vem sendo deixada de geração para geração.

“A cultura germânica se mantém viva em minha família, assim como a admiração pela dança folclórica. Com orgulho, eu e Carol estamos a 4 anos fazendo parte do Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald, um dos mais reconhecidos da nossa região, com mais de 40 anos de história. Grupo este em que meus pais e tios também dançavam,” destaca Alysson Reicher, esposo de Caroline.

Ao centro: Caroline e Alysson Reicher. Nas laterais: Pais do Alysson, Udo Reicher e
Maria Marlene da Luz | Foto divulgação: Alysson

Eu acho incrível ver o engajamento de jovens casais que continuam batalhando para as tradições não serem esquecidas, como é o exemplo desse casal que ensaia semanalmente com o grupo, e já percorreu algumas cidades apresentando números folclóricos. Embora eles já estejam com o grupo a 4 anos, são considerados “calouros” para o tempo de história do mesmo.

Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald

O nome surgiu como uma homenagem aos primeiros imigrantes que chegaram à região, dos quais a grande maioria são oriundos da região da Floresta da Boêmia na Alemanha, que após a 2° Guerra Mundial passou a pertencer a Tchecoslováquia – atual República Tcheca.

A mais de 40 anos, o Grupo está sob a coordenação de Roberto e Rose Marie Scharf, que assim com Monica Malewschik são grandes incentivadores da Cultura e do Folclore em São Bento do Sul.

Grupo Folclórico Germânico Böhmerwald | Foto divulgação: Alysson

“Ter a oportunidade de fazer parte de um grupo com uma rica história preservada, poder compartilhar de momentos de amizade, companheirismo e admiração, fortalecem ainda mais o nosso desejo pelo conhecimento de diferentes culturas, além do nosso incentivo a preservação da cultura típica de nossa região”, completam Alysson e Caroline.

Caroline e Alysson Reicher | Foto: Divulgação Alysson

Eu adorei produzir esse material para compartilhar um pouco sobre o Folclore de São Bento do Sul. Outra tradição que temos em nossa cidade trazida pelos colonizadores, são as retretas de verão, das quais já falei aqui no blog.

Quem também adorou fazer essa “viagem”? Para quem ficou com vontade de conhecer, convido vocês a conhecerem o Blog da Angelina Wittmann, ela é de Blumenau e explora muitos conteúdos sobre história e cultura alemã no Brasil.

Ah, e claro, para quem não é de São Bento do Sul ou não conhece a Schlachtfest, vale a pena conhecer. Ela sempre acontece em setembro, esse ano inicia na quinta-feira, 5 de setembro com um show, na sexta acontece o baile e escolha da rainha, no sábado tem o tradicional desfile típico, e depois segue com apresentações culturais, jogos germânicos, muita comida típica e o Baile do Camponês.

 Se você curte a cultura da nossa região, também gostará de ver esse artigo sobre as retretas de verão, que é outra herança dos colonizadores.

Um abraço, e até a próxima!

Compartilhe! ♥
Facebook
Instagram

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CAPTCHA *

Facebook
Instagram